O “prog space” do Stancke

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Ultimamente muito tem se falado do tal “som noturno” e Curitiba vem se tornando cada vez mais referência no cenário nacional nessa questão. Na capital do “leite quente dói o dente” temos projetos e festas cada vez mais emergentes como por exemplo a Modulation, Michel Naous aka Enigma, Peia, Rastafire, Stancke entre outros…

O bate papo de hoje é justamente com um destes artistas, Wilian Stancke. Com seu projeto homônimo e suas produções mais pensantes e introspectivas vem chamando cada vez mais atenção de festas e gravadoras como a Padang Records.

Vale a pena conferir a entrevista abaixo e ficar de olhos e ouvidos aberto no soundcloud.


Nos conte um pouco de como e quando surgiu o Stancke e por que progressivo?
Sou músico a cerca de 15 anos e sempre estive envolvido em bandas tocando bateria, percussão e gaita de boca. Conheci a música eletrônica por volta de 2014 e pelo fato de ser programador e gostar muito de tecnologia, visualizei na música eletrônica uma maneira interessante de me expressar musicalmente e ao mesmo tempo ter contato com tecnologia. Encontrei na música eletrônica um universo musical quase infinito de possibilidades de criação e expressão, que como instrumentista eu me sentia um pouco limitado.

Me identifiquei com o progressivo, e mais específico com o progressivo noturno pelo fato desta vertente valorizar muito a parte rítmica da música, como baterias, percussões, grooves bem trabalhados de bass, que me lembram muito os grooves de soul e funk, que sempre me acompanharam como instrumentista e também por ser um som mais “sério”, mais “cabeçudo”, não tão óbvio.

Quais as referências antes do projeto e agora?
Cresci ouvindo rock n’ roll, blues e funk americano e tenho como minhas maiores referências, bandas e músicos como The Meters, Stevie Wonder, Sonny Boy Williamson II, Little Walter, Muddy Waters, Jimi Hendrix e Led Zeppelin.

Atualmente tenho como maiores referências para o estilo de som que estou produzindo, projetos como Triforce, Grouch, Airi, Alchemy Circle e também alguns projetos de techno que tenho ouvido muito como Surgeon, 999999999 live, Mat Mus, Dax J e Boston 168.

Atualmente temos vertentes surgindo quase todo dia, como você definiria o teu som?
Definiria meu som como um progressive trance mais sério. Não gosto muito do termo “prog dark” pois meu som não tem tantos elementos obscuros que eu chamaria de “dark”. Gosto de usar elementos mais tecnológicos, espaciais, cinematográficos e um som mais fechado, mais pensante e introspectivo, que eu chamaria de “sério”.

Recentemente você lançou em parceria com o Enigma a track Paleolithic Spaceman em um VA pela Insonitus Records, como surgiu essa parceria?
Esta parceria surgiu pois o Michel (Enigma) foi o cara que me ensinou a maioria das coisas que eu sei em termos de produção musical, posso dizer que ele é meu professor e mestre. E em uma das sessions de produção onde ele me passava alguns conceitos, foram surgindo algumas ideias na hora e vimos que as ideias ficariam bem interessantes numa faixa, na mesma semana eu estava lendo o livro “Eram os Deuses Astronautas” do autor Erich von Däniken, e já estava com a ideia de dar este nome a alguma faixa então calhou da gente produzir juntos e ficou demais! Esta parceria têm dado muito certo e inclusive estamos produzindo em conjunto com o projeto Peia um álbum com previsão para o próximo ano, o álbum “Peia & Stancke & Enigma” já está a caminho, aguardem que vem bomba!

Você acredita que saber produzir seja um diferencial no mercado hoje em dia?
Creio que seja um diferencial ter som autoral, pois queira ou não gera um certo destaque pro projeto e faz seu nome ir muito mais longe, pois quando você lança um som por uma gravadora, toda a galera que acompanha aquela gravadora vai automaticamente ter acesso, coisa que com um DJ SET já é mais complicado, porém não é algo determinante, pois um bom DJ SET ainda supera um Live ACT fraco.

O que seria um live act fraco?
Considero um live fraco, um live mal produzido, tracks mal mixadas, faixas sem energia na pista, produzir só por produzir, saca? Ou faixas que não transmitam realmente a identidade do artista.

Neste caso é preferível um DJ SET bem feito, a um live act nessas condições.

Existe alguma track preferida que tenha produzido?
Minha faixa favorita de todas é a música “Journey Into Positronic Circuits” que será lançada em breve no meu próximo EP, pois nela eu consegui colocar tudo que mais gosto: Vocais extraídos de filmes de ficcção científica dos anos 70, grooves de bass muito dançantes, timbres acid de 303 oriundos do techno. Sério, está faixa está demais, em breve será lançada pela gravadora Padang Records.

Das faixas já lançadas, minha favorita é a “I Lay My Vengeance Upon Thee”, pois a referência dela e o vocal principal foi baseado em um dos meus filmes favoritos do diretor Quentin Tarantino, além de que esta faixa quando tocada na pista, ninguém consegue ficar parado!

Como foi a experiência de tocar na pista principal do Terra Azul?
Para mim foi incrível! Pelo fato do Terra Azul ter sido o primeiro festival de várias dias que eu fui na minha vida, ter voltado ao festival, desta vez para apresentar meu live autoral, foi algo muito significativo para mim, além de que eu estava acompanhado de bons amigos e pessoas maravilhosas, que fizeram com que este festival tenha sido inesquecível! Espero poder apresentar meu live em futuras edições do Terra!

Durante estes 3 anos de projeto existe alguma apresentação que mais lhe marcou?
A apresentação mais marcante do meu projeto foi na Modulation #2, pois foi a primeira vez que apresentei um som 100% autoral do começo ao fim da apresentação, e tudo correu de forma maravilhosamente bem, com um feedback muito positivo do público. Apresentei o live junto com o projeto Peia, onde fizemos um B2B só de tracks autorais, e foi demais poder dividir o palco com estes dois grandes amigos.

Além do seu projeto de Progressivo, você também possuí, junto com o Caio Noldin, um projeto de Techno, o Warenhaux. Nos conte um pouco sobre este “lado b”.
Nosso projeto segue uma linha mais “acid” do techno, variando de 128 a 135 BPMs, onde além do formato DJ SET híbrido onde levamos diversos equipamentos para criarmos alguns elementos ao vivo, como drum machines e sintetizadores, estamos trabalhando no nosso Live ACT, que pretendemos fazer a estreia oficial no Adhana Festival no fim deste ano. Neste projeto buscamos trazer timbres mais clássicos de 303 e 808, mostrando um techno mais cru e analógico. Eu e o Caio temos uma sinergia incrível e desde que começamos o projeto evoluímos muito, tanto musicalmente, quanto como seres humanos, este projeto transcende a música, é um projeto de crescimento pessoal.

A ideia central do Warenhaux é elevar a pista a um estado de transe através de um som hipnótico e introspectivo trazendo assim cura interior.

Você também é um dos responsáveis pelo núcleo Modulation, que vem se destacando na cena curitibana com suas festas indoor e é voltada ao som mais noturno. Como você vê este crescimento das vertentes mais “noturnas”?
Vejo o crescimento das vertentes noturnas como extremamente positivo, e todo mundo da cena tem a ganhar com este crescimento. O público ganha, pois acaba conhecendo novos e bons projetos, os Djs e produtores das vertentes ganham pois acabam fechando mais gigs, podendo apresentar seu projeto em mais eventos e para mais pessoas, organizadores também ganham pois podem diversificar ainda mais seus lineups. Quanto mais gente se interessando pelo som noturno, melhor para todos!

Quais são os seus três álbuns favoritos de todos os tempos?
Jorge Ben Jor — Tábua de Esmeralda
New Order — Substance 1987 (É uma coletânea, mas entra na lista como um dos meus favoritos)
Tetrameth — The Eclectic Benevolence

Você já comentou que no próximo ano teremos um novo álbum, quais outros planos para o projeto?
Para este ano terá o lançamento do meu EP solo “Inside The Positronic Brain”, que será lançado em breve pela Padang Records. Também para este ano está previso o lançamento de uma faixa em collab com o projeto Gargolium, também pela Padang.

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