Virada Cultural como nasceu o palco eletrônico

Curta
compartilhe

Há oito anos a Prefeitura de São Paulo resolveu criar a Virada Cultural e na terceira edição os sócios Gui Milani e Pedro Vidigal resolveram unir forças e criar um espaço voltado ao Trance e suas vertentes. Com o passar das edições este palco foi crescendo e nesta última edição chegou a incrível marca de 70 mil pessoas.

Abaixo você confere esse bate papo com Gui Milani, descobre como nasceu e um pouco da história deste palco, por qual já passaram grandes nomes como Symphonix, MUTe, Zen Mechanics, Ticon, Burn in Noise, Aerospace, Lish, Protonica, Headroom, Ritmo entre outros.

Como surgiu a ideia de incluir um palco eletrônico? (Se não existe desde a primeira edição, qual foi a edição que surgiu?
A Virada Cultural começou em 2005 e eu e meu sócio Pedro Vidigal somente entramos em 2007. Ao percebermos que o único estilo de música eletrônica no evento era predominantemente Techno e Tech House, propusemos à Prefeitura de São Paulo um palco que fosse voltado ao Trance e suas vertentes. Começamos em uma rua estreita (Rua Direita) que ficou lotada (umas 15.000 pessoas) e isso impressionou a Prefeitura. Aos poucos fomos conquistando lugares maiores (Largo São Francisco, Praça da Sé e atualmente Praça Princesa Isabel) e todos os anos, desde 2007, lotamos todos esses lugares.

Na Virada Cultural não existe cobrança de ingresso e nem bar, de onde vem o investimento?
O investimento é 100% público, a Prefeitura destina cerca de 8 milhões de reais para a realização do evento todo. Parece muito dinheiro mas são 2300 apresentações, e apenas na região central a Virada Cultural 2011 contou com 25 quilômetros de vias cercadas por atrações e uma infraestrutura que incluía, por exemplo: 2000 banheiros, 4200 agentes de segurança, 70 ambulâncias, 10000 lixeiras, 15 equipes de coleta seletiva e 80 caminhões-pipa. Essa é uma atitude que toda cidade-capital deveria adotar, na minha opinião. É a festa da Cidade!

Quais as maiores dificuldades em se organizar um evento desses aberto ao público?
Na verdade quando se organiza um evento desses temos que trabalhar como se fosse um evento privado (tentarmos alcançar a excelência em todos os tipos de serviço) mas ainda contar com o lado público. A maior dificuldade talvez seja a comunicação que temos com a Prefeitura. Quando precisamos de alguma informação para fazermos o planejamento, nem sempre temos a resposta em tempo. Então muita coisa acaba ficando para a última hora e o trabalho se multiplica por conta disso.

Na edição deste ano, as 04hs, tivemos um público de 70 mil pessoas. Segundo a Prefeitura de São Paulo foi o recorde da edição. Como é ver um número assim tão expressivo em algo que você ajudou a criar?
Na verdade a minha parcela nesse resultado é pequena, claro que ela existe, fico muito feliz 1:1 fake watches quando o evento se encerra e vejo que a missão foi cumprida mais um ano. E a missão é basicamente tomar cuidado durante o tempo inteiro para que nada dê errado.

Mas devemos primeiramente atribuir esse feito à galera que compareceu para prestigiar nosso palco em 2012. Vale lembrar que simultaneamente tinham outros 4 palcos de música eletrônica e conseguimos lotar uma das maiores praças do Centro de São Paulo (a Praça Princesa Isabel chega a ser duas vezes maior que a Praça da Sé, pois na Sé tinham muitos espelhos d´aguas que ocupavam muito espaço).

Além da população, os créditos vão para os DJs e Produtores que fazem questão de participar desse evento, dado sua atipicidade, e concordam em receber cachês simbólicos. Tudo porque o intuito é estar na Virada Cultural, um evento que ocorre uma vez por ano apenas, conta com os melhores DJs e Produtores, sempre lota e é muito atípico, com prédios e carros passando em volta desse tanto de gente.

O número impressiona, 70.000 pessoas, isso é uma cidade do interior de São Paulo (rs). Mas quem estava por lá nesse momento, viu que tinha gente que nem conseguia escutar o som direito porque estava no outro extremo da Praça. É gratificante.

Qual a sensação de ver várias tribos, pessoas de todas as idades e de vários lugares (inclusive de outros estados) reunidos em um só lugar para ouvir música eletrônica?
A sensação é indescritível, ainda mais quando entre essas tribos vemos o respeito. Ainda falta muito progresso para o nosso público no que diz relação a respeito. Não só com as pessoas, mas com o meio ambiente, artistas, etc. Mas eu posso afirmar que desde que entramos na Virada Cultural em 2007 a coisa só evoluiu, nesse ano foi a primeira vez que tivemos pouquíssimas ocorrências na madrugada que é o horário de pico da festa. Em relação a sujeira, também houve uma melhora muito significante. Acho que a única maneira de chegarmos próximos a perfeição é continuar realizando esse tipo de evento, misturando as tribos e mostrando para elas que todos tem o mesmo amor em comum (pela música eletrônica de qualidade).

Muita gente e bebida é sinônimo de confusão! Como é feita a segurança do público?
Em eventos públicos a segurança é feita pela Polícia Militar, Guarda Civil Metropolitana e também policiais civis. É claro que nós da organização sempre ficamos em alerta para auxiliar em qualquer caso.

O número de policiais ainda é pouco para o tamanho do evento, e esse é um dos motivos que tentamos criar uma forma de respeito entre as pessoas que comparecem, que elas saibam qual é o seu limite. Esse ano tivemos apenas quatro ocorrências mais sérias em nosso palco (normalmente eram quinze a vinte) então já estamos vendo um bom progresso.

Agora a segurança do público deve partir principalmente dele, o público. Eu andava pela pista e orientava algumas pessoas a guardarem o relógio no bolso, pois aquilo poderia chamar a atenção. E também divulgamos em redes sociais uma espécie de manual para curtir o nosso palco em segurança (como evitar utilizar o celular, não ir de relógio, ir em grupo, etc). São cuidados básicos que devemos tomar em qualquer evento de grande porte, imagine quando ele é público.

Por que a mudança da Praça da Sé para a Princesa Isabel?
Na verdade uma série de fatores contribuíram para essa mudança. A primeira delas é que a Praça da Sé é muito recortada por espelhos d´agua, que ocupavam muito espaço. Agora temos um local que é retangular e cabe muito mais pessoas.

Outro fator decisivo foram as árvores que a Praça Princesa Isabel tem. Aq
uilo remonta às festas Open Air, além de criar sombra para o público que era nosso maior vilão nos domingos, todos os anos. Foi algo maravilhoso ver que o pessoal não foi embora por causa do sol, pelo contrário, tiveram um ótimo domingo e mantiveram a Praça Princesa Isabel lotada o tempo inteiro.

Nesses 06 anos de palco eletrônico qual foi a apresentação que mais lhe marcou?
Não posso mentir e confesso que me emocionei muito na minha apresentação desse ano (2012) pois foi minha volta às picapes, eu me aposentei oficialmente da vida de DJ mas a Virada Cultural é minha filha e por ela eu ainda toco. Então foi marcante para mim.

Agora, falando em termos de nossos artistas (que não foram poucos), os que eu mais curti particularmente foram do Lish em 2011, Protônica em 2011, MUTe em 2012, Ticon em 2010 e Duca em 2009.

E os que mais bombaram a pista foram provavelmente Neelix em 2012 e Ticon em 2010.

Como é feito a seleção do line?
O Line Up é feito por mim e pelo Pedro Vidigal, de acordo com os horários da festa, dos artistas que gostamos e que estejam disponíveis aqui no Brasil. Precisamos contar com a ajuda de outras festas privadas para viabilizar a vinda desses artistas, pois como dissemos, não temos budget para pagar o valor cheio deles. Então é muito mais complicado do que se fosse uma festa particular, pois dependemos de uma série de fatores como quantas festas pagarão esses artistas e qual será sua logística. Mas a cada ano que passa conseguimos fazer algo melhor e devemos creditar isso também a Infinite Music, Season Bookings e 4ideas, que são três agências que sempre nos apoiaram e agradecemos demais a todos eles por isso.

Qual DJ você gostaria de ver tocando no palco?
Na verdade os DJs que eu gostaria dificilmente virão, pois ainda não são tão famosos e assim não conseguimos outras festas para eles tocarem. Eu faço de tudo, todos os anos, um dia dará certo (rs). Os dois projetos que eu mais gostaria de ver são Cid Inc. e Fiord (Antix), que para mim são os maiores gênios da música eletrônica. Eles produzem música de verdade, harmônicas, criativas. Outros, que são mais possíveis de serem bookados, seriam Ace Ventura e Weekend Heroes. Eu gosto muito do som deles particularmente e quero ouvi-los tocando para aquela multidão! Não posso deixar de mencionar Flowjob, que é um projeto de Progressive Trance sério.

Alguma novidade para a edição de 2013?
Na verdade já começamos a desenhar o Line Up (já temos umas 3 opções diferentes de Line, concluídas) mas ainda dependemos da confirmação da Prefeitura que a Virada Cultural continuará e ainda com o mesmo time. Como haverá mudança no cargo de Prefeito, essas coisas podem sofrer alteração. Agora, caso a gente esteja novamente no comando desse maravilhoso palco, posso apenas afirmar que o Line Up de 2013 será o melhor de todos os tempos. Isso é fato, pois é algo que vem acontecendo desde 2007 e ainda temos margem para melhorá-lo.

Em 2013 já teremos lançado nosso documentário, que foi gravado nessa histórica edição de 2012 e com isso acredito que nosso público será maior ainda. Esse documentário ainda vai dar o que falar, uma festa pública, imensa e maravilhosa. Vamos tentar usa-lo para concretizar de vez o nosso espaço e porque não, expandi-lo para outros locais e datas diferentes, várias vezes por ano. Ainda é só o começo…

Leia
também...