De Detroit para Campo Largo

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Passaram-se quase 40 anos desde que o prefeito Coleman Young “permitiu” que Detroit se torna-se o berço do Techno, de lá para cá nomes como Kraftwerk, Belleville Three, Octave One, Model 500, Carl Craig, Chemical Brothers entre outros ajudaram a criar, modificar e difundir esta cultura.

Os Roland 909, 808, 303 e Yamaha DX100 deram espaços as controladoras e pendrives, aquele “velho” techno se dividiu em várias sub vertentes e neste último sábado tivemos a oportunidade de assistir o nascimento da Limbic, festa criada por três amigos que buscam reviver este techno “puro”.

“A cena techno underground em Curitiba e região não tem tantas opções onde o público se sinta mais em casa e pague preços justos para poder aproveitar o evento. Partindo deste princípio optamos por uma linha de techno mais séria.” (Renan Souza)

O local escolhido para a primeira edição foi um galpão localizado em Campo Largo — 30 min de Curitiba. A ideia inicial era realizar uma festa open air, mas devido as condições climáticas e pensando no bem estar do público essa ideia ficou para a segunda edição #ajudaSãoPedro.

“Em Curitiba e região não encontramos nenhum estilo diferente de festas techno. Achamos que está muito centrado nos clubs e festas de grande porte, sendo assim tentamos criar uma atmosfera diferente ao público trazendo o techno para um ambiente mais natural” (Cayo Matheus — Limbic)

Por falar em conforto para o público foi incrível ver cada detalhe que a organização pensou, desde preços de bares baixos comparado a algumas festas e quase de graça comparado a outras até ao espaço de alimentação. Já o público correspondeu a todo este cuidado marcando presença em peso, mesmo com a chuva que caiu durante todo o dia e noite.

“Senti como estivesse em algumas pvt’s de antigamente, onde se tinha um número reduzido de pessoas, até umas 200/300, em um sítio bonito no interior, com line up composto só de djs, foco no som, muitos amigos na pista. Esse tipo de festa faz muita falta hoje em dia, é esse formato que fortalece os alicerces de uma cena, pq reforça aquilo que é mais importante: o som e a sensação de pertencer a algo especial, que todos ali têm em comum.” (Fabio Leal)

Mas uma festa não é completa sem os artistas e deixamos eles por último. São poucas as vezes em que saímos de uma festa sem conseguir dizer aquela tradicional frase “fulano colocou ciclano no bolso” e esta foi uma destas noites. O line up contou com nomes de peso como Fabio Leal e Marco Lisa, além de projetos que estão em constante crescimento na região como Warenhaux, Rodrigo Liotti, Cheap Konduktor, Technical Forms e Solid e posso dizer que TODOS os artistas se superaram e surpreenderam.

“A primeira edição da Limbic me surpreendeu muito positivamente. A escolha do line-up foi certeira e possibilitou uma construção energética gradativa da noite, culminando com BPMs altos, pesados e hipnóticos. Ver o público respondendo e pedindo mais foi gratificante.

Apostar em sonoridades mais sérias e pesadas, logo de primeira, não é uma decisão fácil e requer ousadia, e é disso que a cena precisa, pois o momento é novamente muito propício ao Techno e o público parece estar mais antenado e aberto a diferentes experiências sonoras.

Já estou no aguardo das próximas edições e espero estar presente em todas. Nossa região precisa de mais Limbics” (Luiz Zen — Cheap Konduktor)

“Achei a festa incrível, e gostei muito de participar dela com nosso projeto pois fizemos um set realmente do nosso gosto, mostrando especialmente uma linha de acid techno a qual tivemos um feedback muito positivo do público. Provando que esta linha mais acelerada e reta do techno apesar de não ser tão conhecida do público aqui da região, possui uma boa aceitação da galera” (Wilian Stanck — Warenhaux)

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