A magia das tendas

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Quem é que nunca chegou a uma festa e ficou boquiaberto com aquela tenda ou se “perdeu” por alguns minutos enquanto olhava para o palco? Quem não se lembra de tendas “históricas” como o girassol da XXXPerience, a árvore da Tribe, o coração pulsando no main floor do UP#10 ou ficou admirado com vídeos de festivais pelo mundo como o Ozora, Boom, entre outros?

Há alguns anos as “grandes” festas decidiram abandonar as tendas com o pretexto de que elas estavam em desuso ou resolveram em investir em algo “hi-tech”. Felizmente, de uns tempos para cá não só as tendas, mas toda uma estrutura em relação à decoração voltou a ser vista com outros olhos por núcleos de todo o país.

Porém muitos desconhecem quem realmente está por trás desses projetos, quem amarras os bambus, crava os eucaliptos na grama e fazem nós e mais nós para deixar a tenda esticada. Na busca de mostrar um pouco dessa arte, resolvi ir atrás de alguns artistas e conhecer um pouco da sua história e como eles enxergam este mundo de tecidos, cordas, bambus e muita criatividade.

Carin Dickson
Cidade do Cabo — Africa do Sul
+ www.artescape.co.za / Facebook

Quando e por que você começou a decorar?
Comecei em 2000. Amava as festas e então notei que eu poderia fazer pinturas melhores das quais eu via nas decorações, e também porque queria experimentar pinturas com UV.

Você lembra da sua primeira festa?
Em 2001, a Lunatech, em Joanesburgo (África do Sul)

Por que decorar?
Para expressar minhas ideias, compartilhar meu amor pelo que faço com as pessoas na pista de dança, para trazer alegria e luz para suas experiências nas festas, fazer dinheiro e viajar!

Quais materiais você utiliza e como você definiria o seu estilo?
Tudo em tecidos, principalmente stretch / lycra. A pintura é feita por aerografia ou a mão… Meu trabalho é puro, realista, brilhante e colorido.

Cite algumas festas que você já decorou?
Os principais festivais da Africa do Sul desde 2005, como Vortex, Rezonance, Origin. Meu primeiro internacional foi Voov em 2006, desde então tenho feito Ozora (Hungria) por quatro anos consecutivos (2009–2012), Boom afterparty em 2010 e Boom Festival em 2012, Glade Festival (2012), estive todos os anos no Experiencie Festival na Tailândia, Sonica em 2011, Universal Religion no Nepal (2011–2013) e alguns em outros países.

Qual foi o projeto mais difícil e qual você mais gostou?
O mais difícil foi Glade porque a decoração demorou em chegar e o melhor até agora tem sido os do Ozora.

Você pode nos explicar o passo a passo da sua arte?
Eu uso tecidos que podem ser esticados, é tudo costurado e pintado com tinta de tecido para torná-la lavável. Também reutilizo a decoração desbotada e pinto novamente ou corto e costuro com outra coisa ou eu reutilizo os trapos como recheio de almofadas.

Como você se vê nesse mercado atualmente e como era antes?
Quando eu comecei era somente um hobbie, algo divertido para passar o tempo. Foi assim por cinco anos, pois ninguém me pagava para decorar. Agora eu ganho a vida com isso e viajo pelo mundo!

Quais as novidades que o público e núcleos podem esperar?
Eu não tenho ideia, não planejo muito : ) Tudo o que sei é que vai mais dimensional.


Fernando do Valle (Faraoh)
Curitiba — PR
Arte Bela

Quando e por que você começou a decorar?
Comecei a decorar em meados de 2009 e em 2010 foi criado a Arte Beta.
Comecei a decorar porque achei que poderia adicionar na cena trance. Achando que faltava algo nas festas e que eu poderia contribuir.

Você se lembra da sua primeira festa?
Lembro sim. A primeira a gente não esquece. Foi a Mega Mix em Juquiá-SP e a primeira planejada foi a Fiction em Curitiba-PR

Com que materiais você trabalha e como você definiria o seu estilo?
Meu trabalho consiste em lycra tensionada e String Art, esse segundo é o mais conhecido como trama de linhas. Os materiais são basicamente, madeira, prego e fio flúor.

Cite algumas festas que você já decorou?
Festival Tandava — PR, Encontro UPP — PR, Encontro Psilocybin — PR, Fusion festival Brasil — PR, Respect Lost Festival — SP, Goa 604 — SP, Aho Festival — SP, Festival Terra Azul — PR, Mahadeva Festival — SP, Vallmond Open Air — PR.

Qual foi o projeto mais difícil e qual você mais gostou?
É complicado dizer o mais difícil, todos tem seu grau de dificuldade, e umas das ideias do projeto Arte Beta é sempre montar algo diferente em cada festa, acho que ai está o mais difícil.

O que mais gosto é quando consigo unir a decoração de festa com algo mais artístico como uma instalação. Nesse caso teve duas, uma instalação no festival Tandava, o qual foi acontecendo durante o festival e outra foi o Psychedelic Zord, um robô de fio de 4,5m de altura, desenvolvido no Mahadeva Festival

Você pode nos explicar o passo a passo da sua arte?
Um projeto de String Art é praticamente todo geométrico, primeiramente é feito um desenho da peça ou composição a ser criada, depois dessa etapa é feita uma maquete da peça, caso necessário. Após isso vem a execução do projeto; Primeiramente é riscado a madeira com um espaço de 2cm (depende do projeto) e é pregado um prego a cada espaço desse. Após isso é pintada toda essa madeira de preto.
Vem ai a montagem da peça, que geralmente é fixada com abraçadeiras hellerman.

Depois disso vem a decisão das cores das linhas e a disposição dela na peça. Depois de passado as linhas na peça a fixação da peça é feita com cordas pretas ou abraçadeiras hellerman no local destinado na festa/festival.

Todo o processo de montagem da peça, geralmente é feito no local do evento, visto que as peças são grandes e de difícil locomoção.

Acabando a festa as peças são todas desmontadas, e voltamos ao zero.

Quais as maiores dificuldades que você encontra nesse processo de montagem — desmontagem?
O fato de ter que deixar as linhas muito bem esticadas, e a difícil locomoção das peças e com isso ter que monta-las no evento, tirando um pouco a possibilidade de se produzir muitas peças.

Como você vê esse mercado atualmente e como ele era quando você começou?
Ainda é um mercado pouco explorado, os que estão nele há mais tempo sempre são os mais procurados, mas tem uma galera nova aparecendo e fazendo bastante coisa legal, não muito diferente de quando comecei. Não é um mercado de muita concorrência, acredito que seja mais de um contribuir com a arte do outro que haver concorrência.

Há alguns anos as tendas sumiram das pistas e agora elas estão voltando junto com a criação de palcos personalizados, como você vê essa nova fase?
Os organizadores estão mais preocupados com isso, percebendo que a decoração tem a mesma importância que um line up. Não se adianta ter um line lindo e uma festa sem decoração. As tendas sempre foram e sempre vão ser importantes, ainda mais no Brasil onde se tem muito sol, elas servem de sombra e mesmo de decoração.

Eu não vejo como uma nova fase, e sim como um de volta as origens e agradeço por estar fazendo parte e contribuindo.

Para você quais os benefícios de se investir em um projeto de decoração?
O beneficio de construir uma ambientação para o evento. Deixa-lo em harmonia e esteticamente agradável ao publico. Além de contribuir para a psicodelia do publico que vai as festas esperando por isso.

Quais as novidades que o público e núcleos podem esperar?
Uma das minhas ideias é sair do String Art convencional, é partir pra uma linha de peças 3d e com perspectiva, do estilo das peças do Aho Festival. Quero também explorar a ideia de criar bonecos, robôs, etc de fio, como fiz no Mahadeva Festival recentemente.


Sola Tidoo
Alemanha e Ibiza
www.sola-art.eu

Quando e por que você começou a decorar?
Eu comecei em 1988 em uma discoteca de Munique — porque eu adorava pintar em grande escala e foi um desafio para criar uma atmosfera única.

Você se lembra da sua primeira festa?
Foi no ano novo no P1 em Munique, o tema era vermelho e preto.

Com que materiais você trabalha e como você definiria o seu estilo?
Meu material favorito é uma rede fina, com um plástico muito forte e muita luz que eu uso como fundo. Com uma fita e uma pintura que ajudam a ficarem grudados. É uma técnica perfeita para ar livre.

Cite algumas festas que você já decorou?
P1(ALE), Timewarp (ALE),MTV Ibiza (ESP) , Amnesia (ESP), Boom (POR), Tribe (BR), Universo Paralello (BR).

Qual foi o projeto mais difícil e qual você mais gostou?
O mais difícil foi o universo 11 e o que eu mais gostei foi o Boom 2002 e Universo 10.

O Universo Paralello é um dos maiores festivais do Brasil, para muitos é a porta de entrada para outros festivais pelo mundo. Você poderia falar um pouco da sensação de decorar um festival tão importante para nós brasileiros.
Universo Paralello é umas das mais lindas experiencias do humano. .. os organizadores são uns amores, as pessoas com grande coração, mente aberta… Existe um grande respeito — e disto vem o prazer de trabalhar com eles. O lugar na Bahia é exótico e lindo — para mim foi um grande prazer ir para o UP.

Quanto tempo levou a montagem no UP11?
A produção leva de 5 a 6 semanas direto — começa com um pequeno time e no final existem varios voluntarios para nos ajudar também

Como você vê esse mercado atualmente e como ele era quando você começou?
A vida é um organismo em movimento, coisas mudam, nós mudamos e felizmente há sempre alguém que aparece com novas ideias para continuar isso interessante.

Para você quais os benefícios de se investir em um projeto de decoração?

A atmosfera que se cria, as pessoas sente e enxergam que foi colocado muito amor e cuidado naquilo tudo. Isso se reflete na festa, tornando ela linda.


Decowdreams
Poços de Calda — MG
facebook.com/Vacafiltros

Quando e por que você começou a decorar?
Foi quando fui a minha primeira festa eletrônica e observei que queria fazer parte deste meio único e mais sentia uma energia tao intensa que tinha que oferecer algo em troca,já fazia alguns trabalhos mais não tinha pensado em relaciona los a nada, gosto muito da sensação que uma arte bem psicodélica causa,ver os artistas fazendo desenhos, malabarismos junto com o som rolando então nem se fala dai surgiu a ideia para de alguma forma devolver essa energia passando as pros outros também!

Você se lembra da sua primeira festa?
Lembro muito bem não faz muito tempo já fazia pequenas decorações mais a primeira com algum retorno foi o chill out da High Paradise.

Com que materiais você trabalha e como você definiria o seu estilo?
Trabalho com armações naturais feitas de bambu e cipó e algumas armações de aço,fio encerado e sem cera,alem de outras linhas e panos psicodélicos para tendas e palcos em geral,considero minha decoração um estilo mais rústico, natural e psicodélico que pode dar uma imagem própria para a festa, ou incrementar qualquer decoração já pronta.

Cite algumas festas que você já decorou?
Chill Out High Paridise, Vibe Sensation e Tiamat Elemental Illusions…

Qual foi o projeto mais difícil e qual você mais gostou?
O palco da Tiamat foi bem difícil estávamos super atrasados e com noticias que a festa aconteceria com chuva foi muito correria mais no fim ficou bem legal..,e o que mais gostei foi um filtro de quase dois metros redondo com outro filtro dentro na forma de uma clave de fá formando uma desenho do ing e iang naturalmente ficou bem psicodélico.

Você pode nos explicar o passo a passo da sua arte?
É tudo conversado com os organizadores, primeiro vejo o local da festa e discuto ideias com todos a partir disso faço projetos que são apresentados aos mesmos logo em seguida começo a trabalhar nunca termino um projeto igual ao rascunho mais sempre fica melhor que eu esperava.

Quais as maiores dificuldades que você encontra nesse processo de montagem — desmontagem?
Já perdi algumas peças de decoração roubadas ou quebradas o que me deixa mais triste por ser um ato de egoísmo muito grande e tive alguns episódios de descaso dos organizadores em relação a devolução dos materiais mais dificuldade mesmo só o tempo e esta sempre contornei.

Como você vê esse mercado atualmente e como ele era quando você começou?
Vejo muitas oportunidades neste cenário de decoração já que a cena eletrônica esta em constante crescimento e sempre mudando o mercado é bom e se você souber acompanha-lo em suas mudanças crescerá com ele e com as oportunidades.

Há alguns anos as tendas sumiram das pistas e agora elas estão voltando junto com a criação de palcos personalizados, como você vê essa nova fase?
Sim as festas conforme cresciam perdiam junto um pouco daquela energia que falei no começo tornando algo mais comercial. Felizmente este conceito esta mudando são muitas as novidades e a psicodelia das cores em palcos e tendas é um conceito cada vez mais procurado pelos organizadores.

Para você quais os benefícios de se investir em um projeto de decoração?
Festas eletrônicas sempre foram festas alternativas e para um publico único, então além do som de qualidade as cores e as decorações dão um rosto único para cada festa. É tão mágico quando você aprecia qualquer tipo de arte e tem aquela sensação de impressionismo. Este tipo de arte sempre fez parte das festas e é necessário para chamar o publico desejado.

Quais as novidades que o público e núcleos podem esperar?
Procuro sempre inovar e levar novidades para as festas, ideias que surgem no dia dia, mas o certo é que podem esperar tranquilos por que a psicodelia esta garantida!!

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