Entrevista: D-Nox

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Um sonho realizado, é justamente essa a sensação que tenho após ter concluído essa entrevista.

Todos que me conhecem sabem da admiração que tenho não apenas pelo artista D-Nox, mas também pela pessoa que está por trás deste projeto. Não consigo me lembrar de quantas vezes tive o prazer de assistir a esse monstro da música eletrônica, mas apresentações como na Eletronic Spirit realizada na Bavarium (Curitiba, 2007), Tribe On Board (2008), as Tribes na Pedreira (a de 2007 com o resultado do jogo Brasil e Argentina passando no telão e a épica apresentação na Tribe Ligh) e no Club Vibe (foto) com certeza não irão sair da cabeça tão facilmente.

Abaixo você confere um rápido bate-papo realizado com Christian Wedekind que solta a língua para falar de artistas como Steve Aoki e de como está o cenário eletrônico nacional.

Você toca desde os 13/14 anos quais as influências que teve no inicio da carreira?
Sim, eu comecei a tocar com 13 anos, porém na musica eletrônica comecei com 16 anos. Então se voltarmos ao passado você verá que eu comecei a tocar no final dos anos 80 e por isso todas as minhas principais influencias são dessa época. Todas as músicas dos anos oitenta, desde Depeche Mode até Michael Jackson, Duran Duran ate The Cure e New order até Madonna, porém mais tarde quando todo esse movimento de musica eletrônica começou, fui sendo influenciado por alguns Dj`s como Laurent Garnier ou Sven Vath. Eu estava sempre procurando algo deles e curtindo muito quando eles tocavam.

Quando foi a primeira vez que tocaram no Brasil? De lá pra cá quais a principais mudanças que notaram no cenário eletrônico daqui?
A primeira vez que eu toquei no Brasil foi em 2003. Desde lá esse cenário tem aumentado, mais comercial e também aberto. Anteriormente era somente Psytrance ou techno underground em São Paulo, não tinha outro estilo. Eram poucas pessoas, poucas festas e também as festas não eram tão grandes como agora, era mais real. Era impossível ter 25.000 pessoas em uma festa. Eu realmente não sei qual época eu gosto mais.

Produtor, DJ, dono de gravadora e recentemente pai, como consegue conciliar tudo isso?
Eu somente faço isso. Claro que ser pai me deixa com menos tempo para minhas musicas, mas eu amo musica e eu não consigo viver sem ela. Eu tenho que organizar meu dia e meu tempo. Agora mesmo eu faço esta entrevista, escuto musica e quando eu terminar eu vou passar o resto do dia com minha filha. O final de semana é para tocar e os dias da semana é para minha família e escritório.

Qual o significado pra você de uma festa que dura um dia, misturando diversos estilos musicais, como Psytrance, Progressive Trance e Electro?
Eu não tenho certeza, pois os 3 estilos eu não gosto. Eu realmente não consigo mais ouvir psytrance e também progressive house, é sempre o mesmo, e o electro é muito irritante. Me sinto mal quando vejo dj`s como Steve Aoki, pessoas que pensam que é legal o que fazem, mas não é. É somente sujeira e lixo.

Não tem nada a ver com a musica eletrônica do jeito que eu gosto. Música eletrônica para mim é para dançar e não para saltar. Eu gosto quando a música é repetitiva e hipnótica, quando a música faz você esquecer o tempo e quando a música lhe da momentos de surpresa e emoções.

Como você vê o comportamento do público brasileiro em relação à outros países?
Bem, eu amo suas reações e também eu estou numa situação especial, os brasileiros gostam do que eu faço e como eu faço. Eu recebo muito respeito. Mas sim, eu também acho que os brasileiros gostam muito mais de Vodka com Redbull e de tirar suas camisetas e mostrar seus músculos do que ouvir e dançar a musica. Se você tem que segurar uma bebida na sua mão, você não pode dançar.

Essa é a diferença dos outros países, existem lugares para você entrar na pista para dançar, fechar os olhos e viajar e no Brasil todo mundo fica olhando para o dj e aguardando algo especial acontecer. Como eu disse existem diferenças, eu amo tocar no Brasil.

Você prefere tocar em festas open air ou indoor?
Eu gosto de ambos, mas o importante para mim é estar perto do publico. Eu gosto de poder ver seus olhos e sentir suas emoções.

Como você vê as novas tendências da música eletrônica?
Eu não gosto da nova campanha publicitária em torno do David Guetta e similares. São muito irritantes, chatos e comerciais. Eu não gosto de música comercial.

Ao lado de qual DJ você gostaria de tocar?
Laurent Garnier!!

Na sua opinião qual a melhor track que já criaram?
Essa pergunta é quase impossível de ser respondida, mas uma delas é Depeche Mode — Enjoy the Silence

Você acredita que consegue passar alguma mensagem através da sua música?
Mensagem não, mas emoções sim. Eu sou capaz de unir uma pista de dança e fazer todo mundo sentir o mesmo.

Cite dois ou três projetos / produtores que estão em um grande momento e outros que estão em crescimento
Gabe ou Victor Ruiz são grandes produtores do Brasil. Eu amo as musicas dele, também amo as musicas do Maetrik. Mas o problema ou talvez uma boa coisa, é que todo dia surgem novos artistas que mostram seus talentos.

Existem muitas boas musicas por aí, é muito difícil dizer o nome dos bons. Um dos melhores para mim é o Beckers.

Qual festa aqui no país e no exterior mais lhe marcaram tanto positivamente como negativamente e por quê?
Eu nunca vou esquecer meu set na Ilha Bela na festa de ano novo 2011/2012. Eu toquei um set mágico, eu fiz a chuva parar, eu fiz duas mil pessoas dançarem na chuva e esquecerem sobre tudo. Éramos um só, eu e a pista, por horas e horas.

Mas eu tenho ótimos sets, especialmente no Brasil. Eu amo tocar e eu amo tocar sets longos somente quando eu consigo alcançar esses momentos mágicos. É muito importante para mim poder tocar por horas, é o único jeito que eu consigo me conectar às pessoas e sentir o que elas realmente querem.

Os melhores shows no Brasil para mim são: Todas as Tribes e Clash, Trancendance 2005, Ilha Bela 2011/12, as festas em Troncoso e 5uinto em Brasília. No mundo gosto do Japão, Israel e Austrália.

Como você vê a sua relação com a música no inicio da carreira e agora?
Nos dias de hoje é muito mais profissional. Eu sinto falta das raízes e dos primeiros anos, mas somente porque eu era muito ingênuo. Eu vou sempre amar musica eletrônica. Eu amo tocar e ver a reação do publico, e isso é o mesmo de hoje e de 20 anos atrás.

Claro que antes eu era muito mais um festeiro, eu viajava para muitas cidades só para ver os melhores dj`s. Hoje em dia eu não faço mais isso, hoje sou eu que tenho que viajar para tocar. Era uma ótima época, não tinham tantas pessoas e tudo era muito menor.

Quais são suas maiores satisfações e decepções como DJ?
Como eu disse o melhor de tocar é quando eu estou conectado nas pessoas e as pessoas conectadas em mim. Quando nós alcançamos esse momento mágico juntos, e não existe nada nesse mundo que possa me pagar por esse momento e felicidade.

O maior desapontamento é quando o oposto acontece.

Existem festas onde eu posso tentar todos os meus truques, mas eu não consigo fazer as pessoas se soltarem. Às vezes eu sou chamado para festas onde as pessoas não têm ideia sobre música eletrônica, esse é o pior momento para um dj, ter que tocar para pessoas que querem ouvir Michel Teló e contratam um Dj como eu, isso não funciona. As pessoas deveriam entender que musica eletrônica não é David Guetta!

Recomendaria a profissão para sua filha?
Ela deve seguir seu coração e ser feliz com sua vida e trabalho. É melhor quando amamos o que fazemos.

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