Conheça #04: Elah

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Elah é o projeto criado por Angela Follador e, que assim como muitos projetos, nasceu pela curiosidade de saber como é estar do lado oposto da pista. Mas hoje em dia para um projeto vingar não basta apenas a curiosidade, em um mercado cada vez mais lotado e concorrido é mais do que obrigação correr atrás de conhecimento, técnica e possuir uma postura forte contra pseudo núcleos.

Características essas encontradas no projeto de “Prog Psy Trance” da DJane que viveu um pouco da era de ouro do psytrance e possui influências como Wrecked Machines, Gms, Headroom, Gataka, Pixel, System Nipel, Melicia, Space Cat entre outros.

Confira abaixo uma rápida entrevista realizada com Elah.

Porque o Trance ?
O Trance — Psy trance é uma vertente da música eletrônica aonde expande a nossa consciência, a nossa maneira de ver um mundo diferente, acredito que se torna também um estilo de vida, aonde aprendemos a conviver de uma maneira bem diferenciada em relação ao outro e ao mundo. Procurando viver o desapego, a preocupação com o lixo que produzimos em uma festa, tudo ao ver dos olhos de outras pessoas é tao pequeno, e para nós do trance é muito grande, esse é um dos diferenciais na minha opinião.

Agora partindo para o lado musical, podemos nos “perder” facilmente em um psytrance, ele te leva e te eleva, a camada de som, tais como o baixo, a bateria, sincronizando com os elementos que são feitos, ou seja, todos os instrumentos possíveis e imagináveis em uma só track formando uma melodia envolvente e dançante.

Conte como e quando surgiu seu interesse pela musica eletrônica
Primeira Festa foi em 2006, o full on morning dominava as festas, a partir desse momento me encontrei, e depois dessa festa começou a procura, por músicas, DJs, quais os estilos que rolavam, quais os elementos em cada estilo e assim por diante.

No inicio de seu envolvimento com a musica eletrônica, quais foram suas influencias e hoje quais são?
No começo foram — Astrix, Talamasca, Xerox e Illumination, Wrecked Machines, Gms, Growling Machines, Headroom, Gataka, Pixel, Cosmonet, System Nipel, Melicia, Space Cat, 220v, Vibe Tribe, entre outros.

Hoje em dia alguns continuam como referencia, como o Astrix, mas vamos conhecendo muita gente boa pelo caminho, como por exemplo Symbolic, Audiotec, Faders, Relativ, Outsiders, Electric Universe, Burn in Noise, Altruism, Nerso, Vertical Mode, Sonic Species, Phaxe, Metronome, Side Effects, Sideform, Liferforms, Sonic Entity, Flegma, Osher.

https://soundcloud.com/elah00/psicodelia-10-anos

Como e quando decidiu sair das pistas para o palco?
Começou pelo interesse da música eletrônica, aí resolvi fazer um curso de DJ, mas por hobbie, por gostar, querer entender e aprender o que estava acontecendo lá no palco. Depois vieram as brincadeiras com os amigos, festinhas, churrascos, confraternizações, e assim foi se tornando um pouco mais sério. Este ano irei recomeçar os estudos para produção musical, longa caminhada e sem fim, pois sempre vai ter o que aprender.

Durante uma entrevista com a Eli Wasa ela me disse “Eu sempre acho que ser mulher ajuda bastante no começo, porque gera uma curiosidade das pessoas”. Existe alguma dificuldade em ser DJane no trance ?
Bom, eu não penso pelo lado de dificuldade ou não , mas penso que sua responsabilidade lá em cima aumenta, pois certa vez ouvi de uma pessoa, “Nossa mas seu som nem parece som de mulher”, cara como assim som de mulher ? Esse tipo de comentário é que esconde um pouco do preconceito que existe sim, e que precisamos a cada apresentação nos afirmar mais, e mostrar que somos capazes tanto quanto os homens que estão lá, todo dj (ane) já sambou, mas a mulher carrega uma responsabilidade maior, porque ela sabe que se ela errar vai ser muito mais apontada que um homem. Nunca senti dificuldade, mas sinto que estou lá, para assim como tantas outras quebrar paradigmas e preconceitos que tem e estão embutidos na profissão.

Falando em preconceito, CDJ ou controladora?
Na minha opinião todo DJ deve passar pelo CDJ, ele é o começo de tudo, como marcamos uma música, como sincronizamos uma música, treinamos o nosso ouvido com ele, e quando você treina o seu ouvido nada mais te engana ou passa despercebido. Ter o melhor equipamento não te faz o melhor DJ, mas ter o conhecimento e técnicas fazem a diferença em uma apresentação e construção de um set, pois ele é uma história que está sendo contada ao público, e ele precisa ter um começo, meio e fim.

Então eu acho que o importante, é como o seu som é absorvido pela pista, qual é o seu melhor para a pista?! Hoje em dia a tecnologia está aí para ser usada, preconceitos estão aí para serem quebrados, e felizmente isso está acontecendo.

Cite algumas mulheres que na sua opinião também se destacam como DJ
Nossa, tem tantas que acabamos nos inspirando tanto pelo som, como pelas atitude. Mas vamos lá: Altruísm, Rosa Ventura. Ine, Laimana, Ekanta, Anginha, Luana Chery, as meninas do Inner Mirrors, e tem uma que não é da cena psytrance, mas que eu adoro o trabalho dela e a determinação, que é a DJ ANNA (adoro techno tbm rs).

Defina o seu som para aqueles que não conhecem:
É um Prog Psy trance, rico em elementos psicodélicos, com BPMs um pouco acima dos progressivos normais. Apesar de ser um prog “reto”, procuro buscar um descanso para a pista, ou seja, aquele momento de breake mais melódico onde as pessoas fecham os olhos e entram numa conexão que vai além de uma explicação lógica. Isso é fantástico, perceber esse êxtase que a música proporciona para nós, seja DJ, ou expectador.

Durante esses 4 anos de carreira existe alguma apresentação que mais lhe marcou?
Foi a festa do Psicodelia WARM UP.

2018 está começando o que esperar do projeto?
Esse ano vai ser de dedicação ao projeto, pois me formei em DJ pela Yellow, fiz produção musical na AIMEC, porém ainda não tive um tempo para me dedicar e esse ano a proposta é essa. Mais tempo de dedicação, estudo e produção. E lógico, oportunidade para que o projeto aconteça.

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