Entrevista Lucas Magalhães

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp

compartilhe

Bendita seja essa safra de novos artistas brasileiros. Nomes como Victor Ruiz, Alex Stein, Alok e Lucas Magalhães criaram uma nova maneira de produzir e conquistaram brasileiros e gringos com suas tracks. O primeiro virou referência e porque não dizer que virou até uma “vertente”, afinal, quem nunca ouviu a frase “tech-house Victor Ruiz”.

Já Lucas Magalhães podemos dizer que é o caçula desta turma e, em minha opinião, um dos artistas que mais se destacou neste ano de 2013. Tive a oportunidade de conferir duas de suas apresentações (Life Festival e Field Club) e em ambas sai com aquele gosto de quero ver a próxima. O paulistano é um exemplo de que para ser um artista reconhecido e sair daquele mundinho “toco em troca de consumação” é preciso estudar, praticar, ralar e nunca perder a humildade.

Lucas será um dos poucos artistas que fará eu sair da pista principal do Universo Paralello para vê-lo tocar no UP Club (isso se não for no mesmo horário do Criolo rssss) e recomendo a todos que admiram um bom som a fazer o mesmo, aposto uma catuaba como não irão se arrepender.

Logo abaixo você confere bate papo que tive com o artista e um set fresquinho com tracks próprias e de artistas como Maetrik, Bushwacka, Mark Henning entre outros para ouvir enquanto lê a entrevista.

Você fez o curso de “Produção de música eletrônica” na Universidade Anhembi Morumbi, quando e como surgiu esse interesse em ser DJ?
Tinha 15 anos quando comecei, por curiosidade, a discotecar e a produzir minhas próprias tracks. Surgiu naturalmente, eu morava no interior de SP na época, por lá rolavam algumas festas. Pesquisava muita coisa na internet, entre amigos. Foi assim também que conheci o curso da Anhembi, onde me preparei desde então para fazer, e me formei no final do ano passado.

Quais as suas influências?
Todos amigos, mestres e professores com quem tive a oportunidade de aprender. O cotidiano. Toda a energia que me cerca.

Produção é algo que assusta muitos DJs, consegue se lembrar da sua primeira track?
Me lembro que foi na primeira gig da minha vida, após um tempo de pesquisa e brincando nos softwares, fechei minha primeira gig e queria tocar um som meu. Fiz o que eu sabia na época. Mais intuitivo, sem estudos ainda, em home speakers de computador. Foi legal. No final do meu set na gig, fechei com a track. Começava ai a minha jornada.

O que mudou da primeira produção para hoje?
Putz muita coisa (risos). Hoje após alguns anos entre muita pesquisa, uma faculdade e alguma vivência, acho que melhorei muito! E ainda tenho muito a aprender! Aliar intuição, ouvido e criatividade à técnica ajuda muito.

Das várias tracks já produzidas existe a ‘preferida’?
Ultimamente a minha preferida é um remix que fiz para uma faixa de meu grande amigo Alex Stein, chamada “The Cluster”.

Em seu release, no site da Entourage, está escrito: “Lucas Magalhães vem ganhando destaque com sua sonoridade espacial, futurística e altamente dançante”. Como você definiria o teu som.
Difícil. Faço som para pista. Gosto de transitar entre Techno, Minimal & House music nas minhas tracks. Algo meio “deep space freaky & groovy” Tento ser o mais original possível, faço minha onda.

Ultimamente temos visto nomes como o teu e também do Victor Ruiz em charts de artistas “gringos”? Como você está vendo o techno nacional?
Acho que toda EDM nacional já vem forte desde a muito tempo atrás, antes de mim, dos amigos Victor, Alex, e toda turma da nova geração. Graças a grandes talentos das antigas que, assim como nós, amam o que fazem, dedicam suas vidas a isso e nos inspiram. Temos um longo caminho a trilhar. O suporte dos “gringos” nos fazem acreditar que estamos no caminho certo. Nunca imaginei por exemplo o Troy Pierce abrindo seus sets em sua ultima tour na America Latina com um som meu, (uma delas no Warung, e a casa indo abaixo!) ou Sascha Braemer tocando track minha na Alemanha para milhares de pessoas. Isso é muito gratificante.

Minimal techno, Acid techno, Industrial techno, Wonky techno e Tech House, para você o que é techno.
4/4 beats, bass, drums, fx, distortion & synth-a-delic mooves. Techno is life!

Quais lugares você já tocou?
Clash Club, D-Edge Club, Kaballah Circus Festival, Elfortin Club, Field Club, Danghai Club, Life Festival, Low Club / Freaky Ship, Melted, E.Tech, Park.art, Open House, Warehouse, WhiteCastle, Economíadas, CDG… E mais alguns lugares por aí nesses anos. Sou muito grato. Pude conhecer lugares e pessoas incríveis nesse tempo.

Existe algum que mais lhe chamou a atenção positivamente e negativamente?
Hmm todas essas que citei foram fodas, aprendo muito a cada gig. Sempre procuro captar mais o lado positivo das coisas. Negativamente, acho que qualquer lugar que não tenha um bom sound system. Pra mim não tem tempo ruim. Se o sound system for bom (e tem que ser), vamo que vamo.

No seu set você costuma tocar tracks próprias e também de outros artistas como Dubfire. Quais tracks não podem faltar nele?
Não podem faltar as minhas próprias tracks, e também parcerias com amigos, coisas novas que ando testando por aí, e tracks que gosto de ouvir, de caras que sou fã. Dubfire é um desses caras. Mas há muitos. Compro muita música.

No final do ano você toca em um dos principais festivais do país. Como você o espaço do techno e vertentes em um festival como o Universo Paralello?
Fico muito feliz. Comecei tocando e produzindo trance, apesar de já ouvir techno e drum n bass na época em que era moleque. Então o UP sempre foi um sonho. Ir ao festival, e tocar! Hoje, poder apresentar o meu trabalho lá é uma realização. Acho que música, cultura e informação é fundamental. Seja qual for o genero musical, a troca de energia entre as pessoas, prevalecendo o respeito. Vai ser uma experiência fora de série. Não vejo a hora!

Você me disse que está preparando muitas coisas novas para essa apresentação, pode nos adiantar um pouco do que podemos esperar lá na Bahia?
Sim, tenho algumas coisas novas quase prontas e outras que estou trabalhando, um remix a terminar para um grande amigo meu, coisas que nunca toquei ainda. Podem esperar o meu melhor!

O Christian Wedekind (D-Nox) charteou uma música sua no Beatport há alguns meses e te elogiou muito. Podemos esperar um trabalho em parceria com ele?
Sou fã do Chris. Entre 2006 e 2007 conheci o trabalho dele e do Frank Beckers e acompanho desde então. Os caras são fodas. Dai nesse ano rolou esse suporte. Levei um susto. Era o meu primeiro EP solo, lançado pela M.U.R. com 3 tracks minhas. Fiquei muito feliz! Quanto a rolar um trabalho com o Chris, o que posso dizer é: aguardem!

Quais artistas você recomenda para aqueles gostaram de Lucas Magalhães?
Recomendo: um 3D concert do Kraftwerk, tive a oportunidade de prestigiar num Sonar Sao Paulo no ano passado. Memorável. Recomendo também a todos irem de mente aberta a um club e ouvirem um long set do Ben Klock (thx Clash Club). O cara é foda. Eric Estornel aka Maetrik também é um cara que acompanho a anos. Pude ver ele tocar em janeiro desse ano no D-Edge (como Maceo Plex, mas mixando o melhor entre os 2 projetos) e foi explosivo do começo ao fim.

Como é o Lucas fora das pick up?
Quando não estou tocando ou produzindo, sei lá, gosto de cozinhar, sair, ir ver os amigos tocarem. E descansar um pouco também! hahah. Hmm, ouço muita música. RapRocknRollMangueBeat&AllKindOfElectronicGroovyMusic. O que me agradar o ouvido. Eu amo música!

Próximos eventos