Psycodélicos: uma história contada com o coração.

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Este é com certeza um dos textos que mais estou sentindo o prazer em escrever. Um texto para agradecer ao final de semana incrivelmente foda que todo o núcleo da PSYcodélicos me proporcionou.

Desde a primeira edição venho destacando o objetivo principal de todo o núcleo PSYcodélicos que é o de resgatar toda uma cultura que tínhamos há alguns anos nas festas e venho percebendo que isto é algo cada dia mais trabalhoso, árduo e as vezes beira a utopia. É uma luta diária contra algo que em algum momento acabou saindo do eixo e vem se tornando um movimento cada vez mais lucrativo e menos cultural.

Psytrance para mim é um campo de exploração… um campo explorado para melhorar a vida, os sentimentos e o sentido para enxergar as coisas pelo outro lado. Mas não abusem disso como sempre fazemos com as coisas. (Pavle Perovic — Tropical Bleyage)

No último dia 04 aconteceu a terceira edição, foi uma edição linda, forte, intensa e resistente, uma edição com cara e gosto de psytrance, com muita arte, cultura e respeito. Na tarde de sábado rolou uma entrevista com os dois headliners e uma das perguntas feitas para Dries (Digicult) foi o que, para ele, era o Psytrance. Sua resposta foi curta e direta: “Família” e, com toda a certeza, nem ele e nem nós não imaginaríamos que horas depois estaríamos vivendo sua definição para o psytrance.

A sensação foi de ter voltado no tempo, quando eu morava em Israel, aonde as pessoas estavam sempre dançando muito e falando pouco, hehe. Uma vibe suave e feliz como estar em casa com a família. O local foi muito bem escolhido. A produção estava perfeita e o som e djs não deixaram nada a desejar.

Achei a ideia de espalhar os graves na frente e levantar bem os médios e agudos perfeitos pro local e pro som em si. O pessoal que trabalhou na festa foi muito receptivo e hospitaleiro. Tudo fluiu tranquilo, sem filas absurdas e os preços estavam decente… (Cesar Ganjasonic)

Uma edição que ousou em trazer pela primeira ao Brasil um dos principais nomes do fullon morning da atualidade, Tropical Bleyage. Uma ousadia que grandes festas pensariam dezenas de vezes e olhariam seus balanços outras centenas antes de assumirem o risco. Uma edição em que o núcleo teve que assumir taxas abusivas da Prefeitura de Campo Largo para realizar uma festa em uma propriedade privada e não ter nenhum retorno ou apoio deste órgão.

O Brasil é incrível! Uma energia incrível! Fui muito bem recebido. Fico feliz que haja pessoas que querem ouvir o Tropical Bleyage, e estarei sempre disponível se for necessário. A Psycodelicos foi uma história contada com o coração. (Pavle Perovic — Tropical Bleyage)

Festas assim são de extrema importância pra cena local. O foco do trance psicodélico nunca foi comércio e sim possibilitar as pessoas um momento trancedental. Um momento aonde você se liberta dos problemas e preocupações e pode se reconectar com a sua essência e o todo ao redor.

A terceira edição da PSYcodelicos proporcionou isso! Uma festa assim garante que as pessoas novas compreendam a cena e também daqui a 10 anos não sejam somente uns fritos procurando por balada pra fritar e depois voltar pra casa pior do que saiu. (Cesar Ganjasonic)

Quem esteve presente não apenas ajudou a fortalecer o psytrance mas também presenciou projetos como o já citado Tropical Bleyage, mas também o belga Digicult e uma mistura de nova e velha guarda de artistas locais como Atary, Dulio, Titicow, Jhou, Rastafire, Milber, Housedown, entre outros em um local incrível e com uma estrutura de dar inveja a muitas festas.

https://youtu.be/qqHYfiBx5aY

O local escolhido desta vez proporcionou um espaço bem aconchegante para todos, desde a praça de alimentação, camping, espaço para tenda da cura e workshops. Houveram pequenas filas nos banheiros, que foram agravadas pelo excelente combo de cerveja (brahma e não itaipava).

Uma das principais característica do núcleo, desde a primeira edição, foi o espaço dado a outros artistas como performances e também a importância sobre a redução de danos e nesta edição não foi diferente. A noite fria foi esquentada pela pirofagia do coletivo Ignis Tribe, já a manhã foi recepcionada pela emocionante apresentação do projeto Wakanda sobre a “concepção do bem e do mal, focada no tabu que existiu por muitos séculos e que hoje, muitas vezes, é relembrado sobre a mulher e o mal, o homem e o bem”. Além disso, houve um espaço “zen”, o Espaço Beija Flor, um espaço dedicado a cura do corpo e da alma, que contou com Reike, Auriculoterapia e outras terapias e workshops.

Créditos: Flávio Ribeiro — Mushpics

O pessoal da PSYcodélicos são bem acolhedores em relação a novas ideias e artistas. O apoio é tão grande que posso dizer que eles abraçam tanto e tratam com tanto respeito e carinho nossas ideias que faz nos sentirmos mais confiantes para coloca-las em prática. (Carol Borcate — Wakanda)

Esta terceira edição se tornou um marco no movimento psicodélico de Curitiba, quem esteve presente dificilmente irá esquecer as horas que passou na pista, no palco, na feirinha, no Espaço Beija Flor ou em qualquer outro lugar da estância. “We are one”, assim como um dos slogans do Boom, um dos principais festivais do mundo, todos que estiveram ali se sentiram apenas um, conectados seja através da música, do lugar, da troca de sorrisos ou simplesmente conectados por estarem vivendo o Psytrance e vivendo a Psycodélicos.

A sensação não poderia ser melhor, digo pelos feedbacks recebidos, já perdi as contas de quantas lágrimas rolaram lendo e ouvindo a galera. O Psytrance sempre esteve no caminho certo e nós estamos ajudando a empurra-lo cada vez mais para frente. (Douglas Behrend — PSYcodélicos)

Mais fotos: Adhara|Mushpics |Rodrigo Gomes

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